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CEGUEIRA

​Espetáculo montado em 2003, texto e direção: ANILIA FRANCISCA.

Sinopse:

​"Essa trama conta uma história de amor através das fotografias de João Carlos e e Júlia. As dores e delícias de um relacionamento muito intenso e que ultrapassa as fronteiras da vida e da morte, numa cegueira incondicional de não exergar o que de fato ele é ou poderia ser."

ficha técnica:

Ficha Técnica

João Carlos - Fábio de Freitas

Júlia – Danuza Shuluckybier, Renata Andrade, Camila Nogueira

Persona Júlia 1 - Renata Andrade, Camila Nogueira

Persona Júlia 2 - Regiane Lelis, Ingrid Cazassa 

Texto - Anília Francisca

Direção Anília Francisca

Músicas originais -  Gabriel alves

Figurinos , Maquiagem e IndumentáriaAnilia Francisca

Cenário -  Douglas Nogueira

Trilha Sonora e Direção Musical - Gabriel Alves e Alexandre Corecha

Projeto de LuzPablo Rodrigues 

ProduçãoFábio de Freitas

proposta de direção

Nunca a história homem- mulher foi vista sob esta ótica tão peculiar, como trazemos nesta montagem.

 

O público é incessantemente golpeado por cenas, não necessariamente em sua ordem cronológica, que vão contando aos poucos a história de Júlia e João Carlos.

 

Existem cenas de encontros, de desencontros, de abandonos e entregas, Certamente qualquer do público já deve ter vivido algo assim : um amor assim.

 

Nos tempos de hoje, as pessoas não encontram mais tempo para “o grande amor”. Na verdade, não de sabe ao certo se tal amor existe. Será que a televisão, o cinema e as revistas não nos trazem um amor falso, distante do que acontece na realidade ?

 

João vai relembrando tudo que ambos viveram até ali: como se conheceram, como terminaram e voltaram tantas vezes, como perderam o filho que ambos tiveram e como era a intimidade de um casal jovem que se amava loucamente e ao mesmo tempo tinham diversos conflitos.

 

Júlia fez Literatura, e até certo ponto sempre teve uma vida careta. Já não se pode dizer o mesmo do João, que é fotógrafo e vive cada momento seu como se fosse o último.

 

Existe drama e também há um toque de humor - tudo como um verdadeiro relacionamento.

 

A história então, termina exatamente de onde começou , e talvez, de onde nunca deveria ter saído : da cabeça do João Carlos, que ainda não conseguiu aceitar pacificamente a morte repentina do seu grande amor.

Como o espetáculo não se passa na sua ordem cronológica normal, a opção foi por uma peça com cenas bem dinâmicas, num ritmo constante e envolvente.

 

Existe alguma coisa de realismo, mas não é propriamente uma montagem realista – e nem poderia ser, já que toda a história não existe realmente, é uma “viagem”, uma espécie de transe do João. Suas lembranças vêm e vão como fantasmas.

 

A peça co-existe numa fração de pensamento, numa fração de segundo, como na morte: onde toda a vida passa como num flash pela cabeça.

 

O cenário assinado por Douglas Nogueira, apesar de transportar para algo transcendental é simples, valorizando o trabalho corporal do ator, deixando o espaço completamente livre, ao mesmo tempo preenchido por um clima envolvente. Algumas cenas há ao fundo uma projeção com slides de fotos antigas, de um, do outro, dos dois, de paisagens, de milhões de histórias! Entram e saem, como uma obsessão, um princípio de loucura, que começa a despertar...

 

E Júlia? Será que existe realmente? Será que já existiu algum dia? Será que ela está lá, em cena, ou o que paira é apenas o seu fantasma?

 

A peça é envolta por poesias e expressões corporais que dão um clima de romance e mistério no ar – sem falar no repertório musical, que é extremamente belo.

 

Os atores compartilham as cenas, não apenas entre si, mas também com o público, que certamente se identificará com boa parte da história, trazida de maneira espontânea e tão cruelmente real.

 

Diante de tantas lembranças felizes, trágicas e tristes, nada mais poderia findar, senão numa terrível cegueira de não querer crer na dura realidade da perda.

fotos

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