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PEÇA EM TRÊS QUADROS E NOVE CENAS

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SINOPSE - PROPOSTA

Três casais vivem simultaneamente os estágios de uma única e visceral história de amor. Do êxtase da paixão ao desgaste do ódio, culminando em um trágico acerto de contas, seis atores personificam as nuances de um relacionamento levado ao limite. O que resta quando o sangue erra de veia e o destino cobra seu preço? Uma jornada teatral impactante onde o fim é apenas o começo.

Conceito de Direção: O Palimpsesto Afetivo

A direção propõe uma ruptura radical com a cronologia convencional, adotando o conceito de Palimpsesto Afetivo. Nesta abordagem, o tempo não é visto como uma linha reta, mas como camadas de experiências que se sobrepõem e se tornam visíveis simultaneamente. A encenação deve operar como um dispositivo de memória viva, onde os estados de Amor, Ódio e Morte coexistem no mesmo espaço psíquico. Não há passado ou futuro; há apenas a intensidade do agora, fragmentada em seis corpos que habitam diferentes temperaturas de uma mesma consciência amorosa.

Espacialidade e Simultaneidade

O palco é concebido como um campo de áreas de contágio, sem divisões físicas rígidas entre os quadros. A simultaneidade é a chave: enquanto o casal do Amor celebra a descoberta do corpo, o casal do Ódio ocupa o mesmo quadrante para desconstruir o afeto através do embate verbal. As cenas devem vazar umas para as outras, criando uma polifonia visual e sonora. O espectador é convidado a escolher seu foco, compreendendo que a tragédia final já está latente no primeiro beijo, e que a paixão ainda ecoa nos destroços do acidente.

Corpo e Partitura Cênica

A montagem utiliza o Teatro Físico para unificar a narrativa. Os seis atores  atuam como um único organismo fragmentado. Movimentos coreografados e partituras físicas são repetidos em diferentes intensidades entre os casais, gerando um efeito de déjà-vu visual. Um gesto de carinho no Quadro 1 é transmutado em um gesto de agressão no Quadro 2 e em um espasmo de dor no Quadro 3, reforçando a ideia de que o corpo guarda a memória de todas as fases da relação, independentemente do tempo cronológico.

Estética e Instalação

A cenografia afasta-se do realismo para abraçar o conceito de Teatro-Instalação. O espaço é preenchido por elementos simbólicos e materiais brutos: papéis e cartas escritas jogadas no chão e delimitando os espaços de encenação, vidros estilhaçados, metais retorcidosque são ressignificados ao longo das nove cenas. A iluminação é crua e focal, utilizando contrastes de claro-escuro para isolar ou fundir os casais. O uso de 3 caixotes de diferentes tamanhos em cada uma das fases: amor, morte e ódio e seu diferente uso em a construção de fotos que traz o tom misterioso e surreal.

Sonoplastia

A trilha sonora, baseada na obra de Chico Buarque, atua como o metrônomo emocional da montagem. No entanto, a música não surge de forma linear; ela é desconstruída, processada em loops e distorções que acompanham a degradação do relacionamento. Ruídos incidentais do acidente — frenagens, estilhaços e silêncios súbitos — são integrados à partitura musical, servindo como lembretes constantes da finitude. A sonoplastia deve criar uma atmosfera de suspensão, onde a melodia e o ruído se fundem para narrar o que as palavras não alcançam.

Visualização da Experiência

Ao final, a peça entrega ao espectador uma experiência sensorial profunda e inquietante. A atmosfera é de uma beleza melancólica, onde a fragilidade das relações humanas é exposta através da simultaneidade da vida e da perda. O público não apenas assiste a uma história, mas mergulha em um turbilhão de sensações onde o tempo é circular e a emoção é absoluta. É um convite para refletir sobre a impermanência e a força devastadora do afeto, deixando a percepção de que, no teatro da existência, cada fim carrega em si a semente de tudo o que foi vivido.

ficha técnica (2004/2005)

TEXTO E DIREÇÃO: ANILIA FRANCISCA

SONOPLASTIA: ANILIA FRANCISCA

FIGURINOS: JUSSARA ARCHANJO

ELENCO:

JIM - VICTOR FONTOURA, BRENO JADVAS, BRUNO CONDE, DIEGO INSFRÁN

SARA - IVNY MATTOS, TATIANA ATHIÉ, DANUZA FREIRE, HELOISA HELENA, 

PARTICIPAÇÕES 

- FESTIVAL DE ESQUETES DE ARARUAMA - 2005

 

- FESQ - FESTIVAL DE TEATRO DE CABO FRIO 2006

FOTOS

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